ENTREVISTA
25.10.2008 - Mário Sampaio
Mário Sampaio
Já na faculdade você participou de exposições importantes, como isso contribuiu para seu trabalho?
Tudo faz parte, como em qualquer carreira, de um processo de sedimentação. A base tem que ser bem formada, porque é a sustentação de tudo. Foi o início de um interessante processo, o da minha formação como profissional e cidadão.
Qual o projeto que você considera um dos mais especiais em sua carreira?
Gosto bastante do projeto que fiz para a pequena praça Olympio Trombini, situada em Morretes, cidade histórica do litoral paranaense. Quando o prefeito me fez o convite, me apresentou um cenário insólito: uma praça degradada e um contexto urbano problemático, causado pela via de tráfego que liga ao Porto de Paranaguá. Além de dar solução ao problema mais imediato, o de tráfego, mergulhei numa intensa pesquisa sobre a cidade. Acabei me apaixonando quando me dei conta de sua linda história. Morretes é mãe de grandes artistas conhecidos nacionalmente, como Theodoro de Bona, Lange, João Turim, e do famoso historiador Rocha Pombo. No entanto, hoje ninguém se dá conta disso. A maioria das pessoas conhece a cidade apenas pela sua comida típica, o saboroso barreado. Assim, ficou claro para mim que o resgate desta memória era fundamental. Sugeri então a criação de um memorial aos artistas no terreno lindeiro, integrando-o com o espaço da praça e uma capela ecumênica, sob a qual, haveria um espelho d'água com seixos e pedras grandes, representando o rio Nhundiaquara, que é um dos cartões postais do local. Sem muitos recursos, propus um projeto que costumo chamar de arquitetura Franciscana: uma grande esplanada de concreto – mantendo a vegetação existente– o memorial, a capela e mais nada. O prefeito gostou, mas a obra acabou não se concretizando, por falta de recursos. Eu diria que foi um sonho feliz.
Memorial dos Artistas
Onde você busca as inspirações para os seus trabalhos?
É muito subjetivo, mas posso dizer que agora vivo um momento de introspecção. Nesta viagem que estou fazendo para dentro de mim mesmo busco os valores da minha formação como individuo e toda a influência que tive do ofício de meu pai. Para alguns trabalhos a inspiração pode estar no fundo deste lúdico baú, em um desses momentos da minha história.
Como você definiria seus projetos? Algum estilo ou diferencial em especial?
Me preocupo muito com o conteúdo, com a conceituação do tema. Acho que a arquitetura deve denotar uma consciência no momento da abordagem. Mas cada profissional tem seu método e é dessa diversidade que nasce a riqueza das cidades. Da confluência dos pensamentos.
A Artesian está muito presente em seus trabalhos. Você se identifica com esse conceito de clássicos do design?
Sim. Sempre que penso na composição do espaço – e arquitetura também é espaço – procuro utilizar um mobiliário coerente, que se encaixe no contexto. É neste momento que entra a Artesian e seus clássicos. Considero sorte termos uma industria com essa qualidade. Falo isso com propriedade, porque tive oportunidade de conhecer suas instalações e o mentor de toda essa obra fantástica, que é o seu Dorival Hadas, o fundador da Artesian.
Para você arquitetura é...
A transformação do lugar comum em inusitado.
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